Esta tarde, domingo de Páscoa, foi em Monforte que Marcos Tenorio reafirmou uma vez mais as suas ganas perante a temporada que está agora a iniciar-se. Uma série brilhante de curtos com o "Amoroso", sacando depois o "Ellora" para rematar a lide, primeiro cravando um de palmo antecedido de vistosa preparação, para culminar a actuação no sempre esperado par de bandarilhas cravado com arrojo e decisão. Tudo isto frente a um "Pinto Barreiros" que "simplesmente" desligava-se do cavalo procurando o refugio em tábuas.
Hoje o treino contou com a presença de ALGUÉM muito especial e querido de todos nós. Marcos Tenorio como habitualmente, iniciou a tarde no tentadero das "Algramassas" treinando. Hoje os escolhidos foram "Danone", " Cartier", "Eneias" e "Ellora".
Encerramos hoje o capitulo dedicado ao inicio de carreira do Maestro, nos anos oitenta do séc. XX, e em que tentámos, através das muitas imagens que recolhemos, dar uma ideia do ambiente taurino que se viveu nesses anos, independentemente da conjuntura económica, politica e tecnológica serem muito distintos. Faltavam ainda percorrer uns largos quilómetros, até há "aldeia global" onde hoje habitamos.
Através dessas mesmas imagens, ficámos a conhecer melhor a primeira "quadra áurea" de Joaquim Bastinhas. Os taurinos. Praças esgotadas. O toiro. Gestos do toureiro de Elvas, tais como quando se encerrou com 6 "Graves" em Setúbal, o concurso de ganadarias de S. Manços onde actuou como único cavaleiro. As suas digressões pelos diversos continentes e Países. As transmissões da RTP.
Tal como o Maestro sempre diz: a profissão de toureiro é um misto de emoções, mas também de muito esforço e dedicação. Tourear empolga-nos. Leva-nos à procura incessante do êxito, pondo à prova todas as nossas capacidades, os nossos sentidos... uma carreira constrói-se com vitórias e reveses. As figuras conhecem as duas faces da moeda. Porém a sua ambição, o seu querer - o estar sempre por cima do medo, arriscando e vencendo, faz com que a face da moeda que acabamos por conhecer melhor é a coroa."
Mas para exemplificar esta(s) afirmação (es) imagens de uma lide de Joaquim Bastinhas na praça de toiros de Alcácer do Sal, onde um êxito de mão cheia se poderia ter tornado em tragédia, com a queda inesperada do "Palmela", quando nada o fazia prever. E nesses momentos, ou nessas imagens, podemos todos ver a raça ou a casta de que é feito Joaquim BASTINHAS.
E porque a chuva teima em ficar, continuamos as nossas "tertúlias" com o Maestro Joaquim Bastinhas sobre os "loucos anos oitenta", onde um naipe de jovens toureiros impunham-se, quebrando a rotina, aportando à festa um novo fôlego, uma nova hierarquia. O publico, sobretudo nas corridas de feira e datas tradicionais, enchia praças; esgotava "até à bandeira" Santarém, Coruche, Almeirim, para não falar do Campo Campo durante a temporada alta com as "fabulosas de Verão", que já traziam de trás esse epíteto, criado pelo matador de toiros Manuel dos Santos. Corrida da Rádio, TV, Vindimas, Imprensa, Concurso de Ganadarias de Évora, Feira Nossa Senhora da Boa Viagem na Moita, o 17 de Agosto em Coruche, Alcácer, Portalegre, a feira da Luz em Montemor, datas que reuniam publico e aficionados, para ver Bastinhas, Moura, Caetano, Salvador, Telles, Salgueiro, todos eles com o ceptro do toureio a cavalo, até hoje na sua posse, tendo por direito próprio o raro estatuto de Mestria. As imagens que apresentamos ilustram um pouco da época. E nunca é demais recordá-las. Até porque hoje o tempo é também de mudança. Temos a certeza que novas figuras irão em definitivo afirmar-se. Qualidade há. Entrega Arte e Valor também. Tal como "nos oitenta" a temporada 2016 promete!